Segunda-feira, Outubro 25, 2010

Não vás

Fui criado no vale, havia sombras e morte.
Sai vivo, mas com cicatrizes que eu não posso esquecer.

Este miúdo volta para a escola, subjugado e tímido.

Um órfão e um irmão, e invisíveis pela maioria dos olhos.

Eu não sei o que aconteceu para um pedaço dele morrer,

Levou um menino para a floresta, abateu-o com uma foice.

Estampado no rosto, uma impressão na imundície.

Achas que o silêncio faz um bom homem converter-se?

Todos nós temos os nossos horrores e os nossos demónios para combater.
Mas como posso eu ganhar quando estou paralisado?

Eles rastejam na minha cama, enrolam os dedos à volta da minha garganta.

É isso que eu recebo pelas escolhas que fiz?

Deus me perdoe, por todos os meus pecados. Deus me perdoe, por tudo.
Deus me perdoe, por todos os meus pecados. Deus me perdoe, Deus me perdoe.

Não vás, eu não consigo fazer isto sozinho.
Salva-me dos que me perseguem à noite.

Eu não posso viver comigo, fica comigo esta noite.

Não vás.

[Luz]
Se eu te deixar entrar, só irás querer sair.

Se eu te disser a verdade, lutarás por uma mentira.

Se eu espalhar as minhas entranhas, farei uma bagunça que não conseguiremos limpar.

Se me seguires, apenas ficarás perdido.

Se te tentares aproximar, só perderemos o contacto.

Já sabes demais, e não vais a lado nenhum.

Diz-me que precisas de mim porque eu amo-te tanto.
Diz-me que me amas, porque eu preciso tanto de ti.

Diz-me que precisas de mim porque eu amo-te tanto.

Diz que nunca me vais deixar, porque eu preciso tanto de ti.

Não vás.

Bring Me The Horizon - Don't go

Quinta-feira, Outubro 21, 2010

I dream a dream

Tenho a minha gata ao colo. A minha gata é preta, ao meu colo, olha-me nos olhos e fala comigo.

- És tão fofinha.

‘ Tu é que és’

-Porque dizes isso?

‘Porque tu morreste’

Fico parado durante segundos. Tento percebe-la, entender o que quer dizer com “tu morreste”.

É então que começo a sair de dentro de mim, do meu corpo. Sinto-me uma alma a sair do seu cadáver físico e a minha gata, preta, no seu colo a olhar-me fixamente. Terror. Os gritos de desespero saem de dentro de mim, alma, rasgam-me as goelas de espírito penoso num silêncio de angústia e pavor ensurdecedores. Vagueio pela casa, perdido…

E acordo.

Tinha sido um sonho. Estava agora na cozinha da casa dos meus avós. Contei o sonho que acabara de ter a quem se encontrava na cozinha… uma cozinha diferente de como a conheço… e que estava a modificar-se progressivamente. Surgiram pessoas novas, nem sei se reconheço. Um espaço diferente.

Era uma fábrica e sem me aperceber eu trabalhava lá. Pessoas a cortarem madeira e a trabalha-la. Bisturis e x-atos por todos os cantos e espalhados em cima de mesas. Alguém estava a ser despedido. Eu sentia que não gostava dessa pessoa, embora não lhe tivesse alguma vez posto os olhos encima. A madeira tinha deixado de o ser e tornara-se em carne de vaca sem que eu me desse conta disso. Pedaços de carne de vaca ensanguentados e muito vermelhos…

Não me lembro de mais nada. Acordei. Sonhei um sonho dentro de um sonho. Se tivesse tido o tempo para o escrever quando acordei seria como ainda viver um 3º sonho, de tão real que tudo me pareceu. Acordei para a realidade e no meu cérebro consciente surgiram flashes demasiado reais que o subconsciente criou dentro de um sonho de um outro subconsciente.

Sinais? Se é isso que são e lhes chamam … eu não percebi nenhum. Mas adorei a sensação.

Sexta-feira, Outubro 08, 2010

Desenha comigo

Passeando pela 'net' encontram-se coisas destas.
Que mensagem sublime.



Drawn With Me - Mikeinel

Sábado, Setembro 25, 2010

Mil Sóis de distância

Curiosidade leva ao conhecimento.

Um dia acordo. Pelo meio menos provável (Diário da Manhã da TVI) ouço pela primeira vez o último single dos Linkin Park. O pensamento que se forma e cresce desde os primeiros segundos até ao silêncio é que "isto não é Linkin Park! É que não tem mesmo NADA a ver."



-P'rai duas semanas depois-

Não tenho nada de novo para ouvir e não me apetece procurar muito. É isso!
Transferência completa - Linkin Park - A Thousand Suns foi terminado. É ilegal mas temos pena. Por muito diferente que me vá parecer, foram das bandas que me iniciaram nos géneros mais pesados da música e é sempre de bom grado que acompanho grupos desse tempo.
Álbum no leitor de mp3, headphones, o silêncio da noite.


Logo pelo inicio, as duas primeiras "músicas" (uma intro e uma bridge) causaram-me arrepio e fizeram-me antever 47 manifestos minutos de intervenção politica.
Burning In The Skies cria um ambiente calmo, cantada quase sempre no mesmo tom e lembrando o álbum anterior.
Mais uma bridge e... When They Come For Me em crescendo agressivo. Que novidade na sonoridade! Claramente politica. Parece que estou no Médio-Oriente, cercado por uma revolução islâmica. Um dos momentos que mais me agrada no álbum.
Duas faixas à frente mais uma cantiga de contemplação: Waiting For The End. Muito chill-out e um pouquinho de cada uma das fases LP. É fácil perceber que A Thousand Suns tem de ser ouvido como um todo.
Dos berros do Chester... A Blackout trata de matar as saudades e o Mr. Hahn trata de meter o dedinho na ferida com os seus efeitos e distorções. Pesadona q.b.
Segue-se rap/scream/metal de intervenção, quase lembrando o som feito 10anos atrás... Quase!
Iridescent, grande momento. Mais nada a dizer. É ouvir.
Outra bridge e...
The Catalyst!
Sim, isto é estranho. É diferente. Não parece um single. Onde está o refrão cantável? Tanto electrónico?
E então!? A música é épica. É um passo em frente. Cresce a cada audição. Tem de ser ouvida até ao fim para ser apreciada por completo. A variação sonora dentro dos mesmos 5:40 e a qualidade são tremendos. É uma canção construída. O culminar do que é Linkin Park. Brilhante... como mil sóis.
Para terminar, o inesperado. Chester embala-me em arrepios. The Messenger.

E silêncio…

"se a radiação de mil sóis estourasse pelos céus, seria como o esplendor do todo-poderoso."

Quinta-feira, Setembro 16, 2010

Ser feliz...

... é quando nos sentimos fortes, unicos, especiais e tudo parece fazer sentido e esse sentido está ao nosso alcance.
Mesmo que não passe de um segundo, por mais insignificante que seja, a VIDA faz sentido quando acontece.

Terça-feira, Agosto 24, 2010

... domingo

"Já vai..."
Aquela vozinha pequenina.
A porta a abrir.
O abraço.
O sorriso sincero e com falta de um dentinho em cima e outro para cair.
O quarto de princesas.
A ânsia de contar tudo sobre tudo.
Os abraços constantes.
Os beijinhos.
Os mimos no meu rosto e no cabelo.
As saudades escritas no olhar.
Aqueles olhos lindos a pedir para ficar.
As conversas de menina com perguntas de crescida para respostas difíceis de adultos.
Está tão linda!

Domingo, Agosto 15, 2010

Vagos II













Chegada.

Mais de 50km de calor abrasador, amenizado pelo ar condicionado natural do meu carro (entenda-se ‘janelas abertas’) acabam de ser compensados.
Parece que foi ontem que aqui estive.
Sombras de negro espalhadas pelo Sol tórrido vagueiam por todo o lado e levam-me a concluir que estou no caminho certo.
Recebo uma SMS. “Estou no Bar Radical”… vou ter de procurar. Mas antes…
Na fila para trocar o bilhete pela pulseira uma imagem que me tocou.

Um rapaz e uma rapariga sorriem.
Ela vai ao encontro dele, num andar trôpego e desequilibrado, e leva as pulseiras de ambos na mão.
Sorriem e abraçam-se.
É um abraço como o conseguem dar.
Os pés mal assentes na terra, os corpos quase afastados, os braços numa posição estranha…
Mas sentem a alegria de estarem ali, juntos, mesmo com as condicionantes deficiências motoras de que são portadores.
Estão num sítio de "marginais e pessoas estranhas, de aspecto esquisito e com gostos horríveis". Estão num festival de Metal, um lugar aparte no país, um lugar sem exclusões e praticamente todos valem o mesmo. Uma sociedade quase perfeita constituída pelos renegados de uma sociedade ‘mais que perfeita’.

Pulseira vermelha metida no pulso, cerveja na mão, conhecer gente nova...
17H
…checksound no ar, portas do recinto abertas.
Entrada.